quinta-feira, 10 de abril de 2008

Cronópios publica Elixir do Pajé com prefácio de Romério Rômulo e ilustrações de Prats

O pajé antes de tomar o elixir

Cronópios publicou o "Elixir do Pajé", de Bernardo Guimarães, com a apresentação escrita em 1988 por Romério Rômulo, professor de Economia Política da Universidade Federal de Ouro Preto e um dos fundadores do Instituto Cultural Carlos Scliar (Ouro Preto).

A revista virtual de literatura e arte também mostra outros poemas de BG considerados por uns como eróticos e por outros como pornográficos.

Foi Rômulo que prefaciou a primeira edição de poesias eróticas de BG (Edições Dubolso, Sabará, MG, 1988). Ele lembra que por mais de 100 anos essas poesias só tiveram edições clandestinas.

Cronópios fez bom uso das ilustrações de Fausto Prats publicadas originalmente em 1988. O traço acima do pajé é de Prats.

> Link para o Elixir do Pajé, na Cronópios.

sábado, 5 de abril de 2008

África lusófona é mais brasileira que portuguesa


Qual a cultura que mais influencia os países lusófonos, a portuguesa ou a brasileira?

Eu acho que é a portuguesa por causa, claro, da colonização, à qual o Brasil também foi submetido.

Mas ao ler hoje no Estadão a reprodução de uma palestra do escritor moçambicano Mia Couto em homenagem a Jorge Amado estou a ponto de mudar de opinião.

Eu já sabia que nesses países havia leitores de Jorge Amado, cujos personagens têm um forte DNA de africanidade.

Mas, lá, a devoção por Jorge Amado é tanta, conforme revela Couto, que mostra uma afinidade cultural entre Brasil e esses países africanos além do que eu suponha, mesmo tendo lido Casa Grande & Senzala, de Gilberto Freyre.

O que fica subentendido (ou explícito, mesmo) na palestra de Couto é que essa parte da África é mais brasileira do que portuguesa.

Transcrevo abaixo um trecho da palestra do Couto. Mas antes uma curiosidade: em homenagem ao escritor baiano, Couto tem um irmão que se chama João e ou outro, Amado.


... nós carecíamos de um português sem Portugal, de um idioma que, sendo do Outro, nos ajudasse a encontrar uma identidade própria. Até se dar o encontro com o português brasileiro, nós falávamos uma língua que não nos falava. E ter uma língua assim, apenas por metade, é um outro modo de viver calado. Jorge Amado e os brasileiros nos devolviam a fala, num outro português, mais açucarado, mais dançável, mais a jeito de ser nosso.

O poeta maior de Moçambique, chamado José Craveirinha, disse o seguinte numa entrevista: “Eu devia ter nascido no Brasil. Porque o Brasil teve uma influência tão grande que, em menino eu cheguei a jogar futebol com o Fausto, o Leônidas da Silva, o Pelé. Mas nós éramos obrigados a passar pelos autores clássicos de Portugal. Numa dada altura, porém, nós nos libertamos com a ajuda dos brasileiros. E toda a nossa literatura passou a ser um reflexo da Literatura Brasileira. Quando chegou o Jorge Amado, então, nós tínhamos chegado à nossa própria casa.”

Craveirinha falava dessa grande dádiva que é podermos sonhar em casa e fazer do sonho uma casa. Foi isso que Jorge Amado nos deu. E foi isso que fez Amado ser nosso, africano, e nos fez, a nós, sermos brasileiros. Por ter convertido o Brasil numa casa feita para sonhar, por ter convertido a sua vida em infinitas vidas, nós te agradecemos companheiro Jorge. (Mia Couto)


> Integra da palestra do escritor.

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Qual é melhor? O BG escritor ou o BG poeta?

Quem merece mais destaque na literatura brasileira? O Bernardo Guimarães escritor ou o Bernardo Guimarães poeta?

Essa é uma discussão irrelevante porque quase ninguém sabe que o autor d’A Escrava Isaura foi poeta. Mas até a primeira metade do século passado essa questão dividia os admiradores de BG. O crítico Augusto Lima afirmava que o poeta e o romancista se equilibram. Manuel Bandeira e José Veríssimo preferiam o poeta. O crítico Sílvio Romero gostava das poesias de BG, mas ele achava que o prosador era melhor.

O capítulo do livro “Bernardo Guimarães, o romancista da abolição”, do bisneto do autor José Armelim, que acabei de acrescentar ao site do BG, aborda essa questão. É um capítulo que, curiosamente, se refere mais às poesias dos que aos romances, o que talvez evidencia a preferência do próprio Armelim.

Recomendo a leitura do capítulo BG se destaca mais com poeta ou como romancista? a quem deseja saber um pouco sobre as poesias de Bernardo Guimarães. Algumas delas são preciosidades da literatura brasileira. Poderia citar uma dezena de poesias que releio com freqüência, mas prefiro que o leitor faça suas descobertas.

Em Estudo da Literatura Brasileira, assim escreveu José Veríssimo (foto):

"O que, acho, distingue, exteriormente, se assim posso dizer, Bernardo Guimarães como poeta é que, seja qual foi o seu mérito, ele tem como tal uma personalidade à parte dos poetas do seu tempo. Nem a sua inspiração nem o seu pensamento, nem a sua maneira, nem a sua forma é a deles. Eles preferiam o verso rimado, as estrofes de quatro versos octossílabos, decassílabos e hendecassílabos, rimados o segundo com o quarto, ou a redondilha de oito sílabas, ou ainda a estrofe de quatro ou de seis versos, com hemistíquios simetricamente quebrados. O que mais talvez neles se encontre é a estrofe de quatro versos de dez e onze sílabas, rimados o segundo e o quarto. Bernardo Guimarães usa pouco dessa estrofe e verdadeiramente abusa do verso branco e solto, que maneja, aliás, perfeitamente, e cuja monotonia rompe em muitos dos seus poemas, quebrando-os com hemistíquios. A sua metrificação é em geral mais rica, mais simples, mais calma e mais fria, por assim dizer".

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Antiga rua do Capim, onde BG morou em Uberaba

Acabei de acrescentar a foto acima ao site do BG. A foto é de 1938. Trata-se da antiga rua do Capim (Uberaba, Minas), onde Bernardo Guimarães morou de 1820 a aproximadamente 1842. Hoje a rua chama-se Bernardo Guimarães.

Saiba mais.

sábado, 16 de junho de 2007

Vídeo ensina como escrever um grande romance americano

quarta-feira, 9 de maio de 2007

Morre diretor da telenovela "A Escrava Isaura"


Morreu hoje aos 72 anos Herval Rossano (foto), diretor da telenovela "A Escrava Isaura", baseado no mais famoso romance de Bernardo Guimarães. O seu nome verdadeiro era Herval Abreu. Ele dirigiu a telenovela tanto a versão da Globo como a da TV Record, esta mais recente. Ambas obtiveram sucesso no Brasil e no exterior. Ele morreu de madrugada, quando dormia. A mulher de Rossano, a atriz Mayara Magri, informou que ele tinha problemas de coração e sofria de efizema pulmonar. Ele também dirigiu outras telenovelas de sucesso, como as globais Cabocla, A Sucessora e Maria Maria. Informações desta nota são da Agência Estado.

quinta-feira, 12 de abril de 2007

Domínio Público tem íntegras de livros do BG


Hoje, dei uma passadinha no Domínio Público, que é a excelente biblioteca virtual mantida pelo Ministério da Educação, para saber o que existe lá sobre Bernardo Guimarães. O site tem 20 arquivos em pdf de obras do autor. O mais acessado, como era previsível, é o livro a “Escrava Isaura”, com 4.697 registros até agora. No site do BG também existe um endereço a partir do qual se pode fazer download dos principais livros do autor. É este: http://www.geocities.com/paulopes.geo/livros.htm